Domingo, 9 de Setembro de 2007

Bar ruim é lindo, bicho

Por Antonio Prata

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins.
Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem).
No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar "amigos" do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.
"Ô Betão, traz mais uma pra gente", eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins,que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha.
Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.
A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil.
Assim como não é qualquer bar ruim.
Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo.
Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.
Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse.
O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas.
Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó.
Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV.
Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider.
Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico.
E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.
Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem.
Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo.
Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato.
Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae.
Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.
Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil!
Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos do globo.
Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo, saca?).
- Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

75 comentários:

Isabela disse...

Não teremos mais nada por aqui?

Ane Brasil disse...

Pô, eu frequento boteco pé sujo porque sou duranga mesmo... bem, de agora em diante vou passar a usar teu texto como desculpa...
ótimo texto, por sinal... não sei porque, me identifiquei com essa porra...

Ane Brasil disse...

Pô, eu frequento boteco pé sujo porque sou duranga mesmo... bem, de agora em diante vou passar a usar teu texto como desculpa...
ótimo texto, por sinal... não sei porque, me identifiquei com essa porra...

Marco disse...

Repetir "meio intelectual, meio de esquerda" quinhentas vezes, NÃO é estilísticamente agradável.

O ufanismo idealizado do pobre subindo coqueiro

Marco disse...

puta merda, dei enter antes da hora.

Então, essa coisa do pobre subindo coqueiro em oposição ao motorista de Chevette e usuário de Rider cheira a ufanismo idealizado.

Talvez se eu fosse meio intelectual, meio de esquerda eu gostaria do texto.

Lisa disse...

Concordo,concordo, concordo!
Inclusive com a repetição. É um estilo muito "meio intelectual-meio de esquerda". rs
E me questiono: é assim mesmo que é... é ruim? e daí?

Lini disse...

Q nada ... Perfeito em todos os sentidos! Vc descreveu minha vida hehehhehe

Autor disse...

Como assim esse texto que eu não me lembro? Será que eu fiquei sonambulo e vim na internet escrevê-lo ? Brincadeiras à parte, compartilho veementemente da mesma crítica do autor. Que bom que exista alguém sensível à observar essa a hipocrisia dessa juventude pseudo socialista. Parabéns pelo texto!

Vanessa disse...

Não entenderam nada de nada...
tem nada de crítica a juventude pseudo socialista... nem se propõe a nenhum estilo literário, muito menos é ruim... Perfeito!

Rix disse...

Olha que coisa, eu vivo tentando ser intelectual e de esquerda. Por isso mesmo frequento esses bares. E eu sempre cheguei lá achando que estava cercado por intelectuais de esquerda (não meio, meio sou eu que sou publicitário com dor na consciência, que vive comprando livros que eles indicam e largando na metade).
Mas, se nós somos todos MEIO intelectuais e MEIO de esquerda. Onde estão os intelectuais e de esquerda MESMO?
Desconfio que eles estão velhos demais pra frequentar nossos lugares.

Cristina disse...

Adorei o texto e o relacionei a vários amigos meus que se dizem "meio intelectual, meio de esquerda". Outros até incluem a música como critério de escolha e dizem sim que o tambor do nordeste é bem mais brasileiro. Mais engraçado é enxergá-los também nos comentários sobre texto.
Como o mundo Cult nos é tão transparente, não?? Pensava que a crítica era só minha, ufa... hehehehe

[oçneruoL] disse...

Texto excelente!! Inclusive, gostaria de ler mais.

Parabéns !!

Marcelo Zannin da Rosa disse...

excelente tapa (suave) na cara, inclusive na minha

joao p. guedes disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
joao p. guedes disse...

O "bar ruim" é autêntico porque representa a realidade brasileira, algo que é construído com idéias e recursos próprios, s/ interferência da estética internacionalmente padronizada. Além disso, seus freqüentadores são brasileiros que buscam a consciência da cultura local, abandonando a atenção à jactanciosa paisagem européia e devolvendo seus olhos à sua realidade vernácula. O conceito do bar ruim me interessou porque é justamente essa qualificação como sendo algo que ainda se situa fora do crivo da "vejinha", com o condão de dotar o bar, até então ruim, de fetiche para atrair desintelectuais pseudo-esquerdistas que buscam do lugar apenas mais uma moldura para suas fotografias digitais.

Parabéns pelo texto, cabra.

João.
Brumado/BA.

pirilampia disse...

O meu preferido fechou... demos o nome carinhoso a ele de Mosquinha na Parede... com todas aquelas decorações animadas nos azulejos amarelecidos...a pizza era sem-igual feita naquela bancada totalmente carcumida que mal se sustentava... fechou e nos deixou orfãos... nos sentimos menos guerrilheiros no novo bar do bairro, ainda que só aceite pagamento em dinheiro vivo (não eletrônico), os banheiros se projetem para as mesas e as mesas para a calçada...mas o Mosquinha, nunca mais...

Ehobsbawn disse...

cara... sem palavras: muito foda!!!

Lara disse...

o melhor texto do Antônio Prata (se bem que eu fico em dúvida por causa daquele "o Brasil na faixa")

e acho que o joao p. guedes é um meio intelectual, meio de esquerda. hehe

Djaildo disse...

¬¬'''''''
Cara, 6 tão brincando comigo, né?
PQP, será que NINGUÉM que comentou aqui percebeu que o texto é TOTALMENTE irônico? Que, na verdade, se trata de uma crítica aos que o autor considera meio-intelectuais, meio de esquerda?
Putz, tá phoda, héin?

André Regitano disse...

Se eu não fosse mais um meio intelectual meio de esquerda, eu não teria reparado nesse errinho:

"Brasil, por isso vamos a bares ruins,que TEM mais a cara do Brasil que os bares bons"

não seria "Têm"?

ÔÔÔ Textinho bão, sô...

Cito Rodrigues disse...

hahahahhahahahha
E tem meio intelectual discutindo a gramática!!!!

Isso é a perfeita definição do Cult.
Isso é a Augusta, Madalena, Olímpia.

A carapuça?
Pra mim, meio pobre, que ainda frequenta boteco de madeirite no pé do morro da cabeça da vaca em São Bernardo, não universitário, meio metalúrgico filho de metalúrgico e de mãe baiana (o acarajé cult paulistano é uma merda), esta carapuça precisa só de uns ajustes.

Ainda assim dá pra dizer que estou aí no meio com meus amigos.

emteste disse...

eu poderia assinar e dizer que é a minha biografia

Lucas Lolli disse...

Escrever "samba de roda" em lugar de "roda de samba" é bem meio intelectual, meio de esquerda, mesmo.

Pedro disse...

Putz... apesar de reconhecer que esse texto foi muito bem escrito, sacando os estereótipos pseudo-esquerdistas, me soa como uma ironia meio nojenta. Algo assim, meio Diogo Mainardi. Tá bom, ele critica esses intelectualóides, mas e aí? Do que ele gosta? Seria bastante interessante constatar se o autor tem a mesma competência pra escrever sobre o outro lado da moeda, que é mais rico em clichês ainda, além de ser culturalmente paupérrimo. Àqueles que, porventura, vierem me rotular de meio-intelectual, meio de esquerda, vão à merda.

Isabela disse...

Eu insisto, acima de tooooda discussão barata que demonstre uma intelectualidade superior, não teremos mais nada por aqui?

Caio Ben Jor disse...

Entendo o que vc quer dizer ...

Nosso Sentimento Nostalgico torna nossa Felicidade ... Dificil aki em são paulo ... bares ruins estão cada vez mais dificil mesmo .

Eu achei o bar do seu arthur ... por enquanto esta otimo ... euhaehuae

SALVE JORGE BEN JOR

SALVE SIMPATIA

Leandro disse...

esse estereótipo é o que mais me enoja, só faltou falar dos que vão ao bar e passam fome pra nao comer coxinha pq são vegetarianos.
a prova de que o "meio intectual" é um estereótipo é que alguns tem a ignorância de nao entenderem a ironia do texto,virem aqui e se identificarem como tal pensando q tao abalando ainda.

e pedro, seu imbecil, sim, o outro é lado é bem mais cheio de clichês, mais o lado meio intelectual é atacado pelo autor com as próprias armas,tendo caracterizados seus próprios clichês.Pq pra falar que o bar é sujo e uma merda, qualquer assinante da veja fala.

e isabela, acho q isso nao é uma discussao de qm tem o pau ou o cérebro maior, mais de enxergar melhor atraves de seus pre-conceitos.

Epifaníaco disse...

Pessoal nervoso, opiniões fortes, textos bem construidos. Maravilha.
Esse texto é foda mesmo, paguei pau.
Me identifiquei com muita coisa, principalmente com o tom zombeteiro da parada.
Creio q definir se é critica ou elogio é pura perda de tempo. É oq É e nada mais. O uso q se fizer dele é o culpado pelo preconceito/raiva/ofensa/elogio.

Ser e assumir é lindo asudhsauisadh
a esquerda fede, a direita fede, intelectuais fedem, até as universitárias mais ou menos gostosas fedem.

Viva o bar ruim! Pelo conceito e prática não pelo meio intelectual, meio de esquerda.

Queria eu ter escrito isso mas não acho q sou meio intelectual o bastante para tal. E meus parabens aos revoltados com a ignorancia alheia: a sua é realmente reconfortante.

e bla bla bla bla

comer em bar ruim é mó fita errada.

Epifaníaco disse...

leandrinho boca suja, seu mal criado!
será vc o portador do pau-maior?

o cara usa as armas q tem pq ele escreve sobre ele mesmo.

de hipocrisia ta todo mundo cansado já, muda o disco.

os unicos q realmente me irritam são aqueles q são donos de verdades, por mérito ou por crédito. punheteiros mentais q se exitam com a própria imagem.

cherar o dedo as vezes é uma boa prática para quem anda com ele enfiado.

drica disse...

hahahaha
perfeito!
e os comentários então..
meio solidário,
meio paga pau,
meio partidário,
meio mal educado,
meio ansioso,
meio taxativo,
meio pasquales,
meio cult,
meio imbecil,
e totalmente humano!
tem gente de tudo que é jeito mesmo jisuis..
adoro!

Fernanda disse...

Ainda bem que eu não li o texto todo!
Por que então,
posso analisar os comentários e rir um bocado!
Mas, indo ao que interessa...
A opinião é algo muito importante por tanto a crítica torna-se óbvia.
A verdade é que adorei o texto, por que foi bem escrito?
talvez... mas principalmente porque a visão que o autor vomitou aí é muito rara.

Domenico disse...

hahaha,
Não gostava muito do Mário Prata, mas ele mandou muito bem nesse texto, ironizando a si próprio e aos meio intelectuais e meio de esquerda que a gente encontra em abundância no meio universitário.
Já tinha lido esse texto faz uns bons anos, mas como não me identificava como meio intelectual nem como meio de esquerda, não teve tanto efeito. Mas agora que me identifico como meio intelectual e meio de esquerda (faço doutorado sobre a guerrilha) ri um bocado quando ele satiriza alguns hábitos meio-formatados do meio intelectual, meio de esquerda. Adoro uma cachaça de Salinas, carne de sol e adorava proferir a frase ridícula de que eu conhecia tal coisa antes de fazer sucesso, rsrs

Juliana disse...

Ao contrário do q disseram, q 'Repetir "meio intelectual, meio de esquerda" quinhentas vezes, NÃO é estilísticamente agradável', (Acho q ele quis dizer "estéticamente agradável", não sei!) é justamente o contrário! Pelo q vejo a repetição não é por acaso, e sim proposital! Ela FAZ parte da estética do texto! É isso q faz a diferença! Muito bom este texto por sinal, bem crítico, parabéns ao autor!

nat_3pontinhos disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
nat_3pontinhos disse...

Rsrs. Estou me sentindo em algum "happy hour" da USP (claro que a trupe meio intelectual, meio de esquerda nunca permitiria o uso dessa expressão, soa meio Vejinha, não-brasileiro e muito pouco autêntico).
Ré, me identifiquei. E já faz um certo tempo que tracei esse esteriótipo também, dei e dou umas ironizadas por ali e aqui. Sempre bom repensar em nossos preconceitos.

15 de Julho de 2008 21:44

André disse...

legal, ahahahaha

Independente FC disse...

Passando somente para falar mal dos intelectuais de esquerda. uahauahaauh

Bambalejalu disse...

que podre! Realmente, amei...
teremos mais coisas por aqui ? ;*

Artur disse...

Esse seu texto é tão bom que nem chega a ser autênticamente brasileiro! Prefiro os textos meio ruins!

hahahaha!

Thai disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Natalia disse...

Ótimo para aqueles que são meio intelectuais e meio de esquerda!
Adorei!

Vulgo Dudu disse...

A estética do meio intelectual, meio de esquerda ficou bem explícita neste texto. Muito bom!

Jaque Lima disse...

Ahhh...ser meio. num sei não. sou ineteira. ou não sou nada. mas boteco só pode ser chamado de boteco se for ruim. se tiver roda de samba. se tiver frango a passarinho.

Gabi disse...

É claro que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, percebemos as criticas do autor em relação aos nossos próprios hábitos, se não, não seríamos meio. Todo mundo é pseudo alguma coisa, os poucos que se julgam diferentes que acabam se tornando inteiro (na minha opinião... uma merda completa).

Assim como nós gostamos de criticar a autenticidade das coisas que nos cercam, vocês gostam de criticar a gente, e isso é lindo. Todos acabam fazendo parte do grupo, seja lá qual for o seu grupo.

É claro que eu me sinto a escória da humanidade quando vejo que fui formada no mesmo molde de vários outros que se acham diferentes uns dos outros, mas, sinceramente, eu iria me sentir bem pior se o molde usado em mim fosse dos que acham tudo isso estúpido.

alu doispontozero disse...

O melhor de toda essa descrição é que nos tornamos clichê de uma autêntica galerinha que odeia clichês!

Eu SUPER me identifiquei.

Deusa disse...

Muito bom seu texto!!O tema foi bem curioso para ver a reação dos "meio intelectuais e meio de esquerda" ao ler este texto rsrs. Cutucou, héin!
Adorei a discussão - os revoltados, os preconceituosos,os que amaram, os que se identificaram, os que não entenderam, os que se ofenderam.

Achei bacana! Falou o que realmente acontece e serviu para alguns "meio intelectuais e meio de esquerda" refletirem o que realmente representam.

sofia disse...

para mim são pobres que querem ter algo "autentico" que não seja de pobre nem de rico querem estar "entre", são "meio intelectuais" aqueles que pagam o caro que tem cara de barato simplesmente porque não podem pagar o caro com cara de caro...
e gritam: esse é o Brasil e temos que nos sentir Brasileiros frequentando esses bares e estando perto do proletariado, dando um outro valor ao barato e ao pobre divulgado!!!
bla, bla, bla...
ou talvez eu esteja totalmente errada...afinal tudo é relativo, depende do ponto de vista =/
só do que realmente tenho certeza é que frequento esses "bares ruins"...rs
gostei do texto!!!

;)

cintia disse...

Tomara que não seja apenas mais um belo texto irônico !
Gostei bastante !
Parabéns , cara !

nik-liv.jah.lov disse...

Acabei dscobrindo q tb sou uma "meio intelectual meio de esquerda" ... hauhauhauahu
Vai entender o paradoxo q faz os nossos bares ruins serem tão bons?! e pior tenta explikr isso pa algm...
so qm é meio intelectual meio de esqrda pra entender essa poesia
Otimo texto.

Gus disse...

Muito bom!
Qualquer bate-cartão de botequim vai gostar dum texto assim!

Tá ótimo!

helen disse...

Bom..não sou nem muuuito intelectual..nem de esquerda..mas esse texto é muiiiiiiiiiiiiiito legal!! Q tudo!!

Giovana Nunes disse...

todas as pessoas que estão criticando esse texto são candidatas a meio intelectuais meio de esquerda que não querem admitir sua ignóbil condição de burguês folclórico...
eu amo esse texto
desculpa

Adriano De Bortoli disse...

Não seria "meia" intelectual, rsrs.

Fernando disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Fernando disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Glaucia disse...

Genial, simplesmente.

Albergaria disse...

Obra Prima!!!! gostaria de ler mais coisas... Vou disponibilizar seu texto no meu blog com as devidas referências, lógico.
Abraço!

Tatiana disse...

Nossa...teve um aí que falou que o texto é do Mario Prata... fiquei até MEIO zonza agora.
De todos modos, achei o texto MEIO legal.
Depende de quem lê, e o que vai fazer com a informação. Por exemplo, se a pessoa que lê, sai por ai divulgando que o texto é do Mario Prata...daí,o Brasil tá MEIO fudido!

Eros disse...

Hahaha!

Cara, você conseguiu me atingir.
Parabéns pelo texto!

xuxuestripador disse...

"ôe ôe ôe eu sou mais indie que você"

Nádia Aguiar disse...

Cara, você é ótimo!
Muito bom o texto.

Jenni... disse...

Como outras pessoas me identifiquei um pouco com esse texto... muito massa... e as bandas antes de tocar na MTV sempre são melhores... por não ter assédio da mídia cantam o que gostam e sua verdadeira ideologia sem se preocupar em vender ou não... e música é pra quem gosta não pra quem qr somente fama e dinheiro.

tiago disse...

Só queria afirmar q apesar de me considerar meio de esquerda (talvez esquerda mesmo), meio intelectual, vou a esses bares ruins pq vou pra beber e lá a cerveja é mais barata! Qdo o dono começa a modernizar, fica mais cara a cerva, daí procuro outro, rsrsrs! Só por isso!

Nenê disse...

O texto é do Antonio Prata, filho do Mario Prata. Eu criei esse blog somente para postar esse texto já que o link usado antes quebrava sempre. O texto não é meu e o autor provavelmente nunca vai ler esses comentários! Só pra deixar bem claro!

claudio disse...

Amigo, boa iniciativa de sua parte em ter postado a excelente crônica de Antônio Prata, no entando gostaria de lembrá-lo que não é correto modificar o texto e introduzir frases chulas que não fazem parte do texto original, lí o crônica no livro as "Cem melhores crônicas brasileiras" e ao ler o "seu" texto percebi, logo de início, que você trocou "uma lágrima imediatamente desponta em nossos olhos" pela frase absurda "a gente bate uma punheta ali mesmo", acredito que a intenção do autor nunca foi a de explorar a falta de cultura do brasileiro e seu gosto por pornografia barata e sim fazer uma crítica muito bem humorada a respeito de uma camada da população brasileira que se julga intelectual e de esquerda sem sé-lo por inteiro, dado o seu apego as vantagens do capitalismo e por não perceberem isso também parecem não ser assim tão "intelectuais" (definindo: pessoa devotada às coisas do espírito, da inteligência). Cheguei em seu texto procurando uma versão digitalizada da crônica, infelizmente, por ter sido descaracterizada, terei que me contentar em escanear a crônica do autor.

Flavia disse...

Olha a cara-de-pau deste tal de Alex: plagiou o texto e assinou. Tem como interditar este mau-caráter?

O boteco vagabundo é uma beleza, camarada - Por Alex escrito em quinta 03 julho 2008 02:04

brahma, bar ruim, intelectual

Uma meia-dúzia de amigos diz que eu sou um tanto intelectual, e eu devo confessar persistir a possuir uma veia esquerdista. Nada que justifique melhor estas adjetivações do que o meu ímpeto de freqüentar consuetudinariamente os piores botecos da cidade.

Para que fique bem explicado, nós, do hall dos meio intelectuais, quase esquerdistas, consideramo-nos uma espécie de vanguardistas do proletariado há cerca de 300 anos. (Err, eu sei que há algo de errado numa vanguarda de 300 anos, mas está valendo!). No boteco que elegi para freqüentar recentemente, o proletariado é o simpaticíssimo Gilmar, garçom-proprietário, que saúdo com leve tapinha acreditando piamente resolver aí 500 anos de história. O verdadeiro meio intelectual, meio de esquerda, adora ficar “amigo” de gente como Gilmar, com quem debatemos sobre o futuro do Mengão enquanto nossos iguais não chegam para que possamos enfim conversar algo acerca das novas tendências literárias. “Gilmar, desce aí aquela que cê tava guardando pro Lula”, berro eu com os cotovelos sobre a deficiente mesa de lata que anuncia uma Brahma do tempo em que cerveja era simplesmente Brahma, e aí, eu me sinto parte desta nação.

Por mais que nosso conhecimento das línguas e costumes estrangeiros aponte o contrário, nós os meio intelectuais, meio de esquerda, somos e adoramos ser parte do Brasil, por isso nós adoramos botecos que tem aquela rajada cara brasileira e desprezamos os bons bares que antipaticamente servem “picanha argentina ao alho e óleo” e não tem ovo rosado, pititinga frita, ou uma carne de sol com cuscuz que são, de fato, o que de mais tradicional existe na nossa culinária.

Nós gostamos do Brasil, mas que seja o Brasil diagramado perfeitamente. Não é qualquer nação. Assim, claro, como não é qualquer boteco vagabundo. Tem que seguir um padrão de autenticidade: um bar ruim, com mesa de lata, copo americano sujo e, se tiver porção de pititinga frita, nós somos perfeitamente capazes de chegar ao orgasmo ali mesmo.

Quando um dos nossos acha uma nova bodega jamais freqüentada por outro grupo de meio intelectuais, meio esquerdistas, não conseguimos nos conter: e aí ligamos, passamos e-mail, avisamos pelo MSN e decretamos: “Habemos novo boteco”.

O problema ontológico do bar ruim é que ele tende a se tornar cult e passa a ser visitado por diversos meio intelectuais, meio de esquerda isso sem falar nas universitárias mais ou menos rabudas. Até que mais cedo, ou mais tarde, um fórum de orkut o aponta como point cultural-universitário e aí nós já nos sentimos extremante incomodados, a ponto de um dia chegarmos no boteco sem graça e encontrá-lo cheio de gente que não é nem meio intelectual ou tampouco meio de esquerda e, na verdade, foi lá só para ver se tem universitários e gente pop, o que basta para que saudosistamente digamos: isso aqui prestava quando eu encontrava minha galera semi-intelectual semi-de-esquerda, as universitárias mais ou menos rabudas e uns bêbados que travavam embates no dominó.

Nós gostamos dos pobres que estavam em Cabuçu antes, porque eles eram uns pobres que subiam em coqueiro usavam sandália de pescador, uma coisa admirável, mas nós claramente detestamos àqueles pobres que chegam depois, como fossem usurpadores de beleza, montados num Opala Bujão e de chinelo Keep Naipe. Desse pobre nós não gostamos, nós queremos bem ao pobre autêntico, do Brasil autêntico.

E os donos destes botecos que nós freqüentamos geralmente se dividem em dois tipos: os que nos entendem e os que, definitivamente, não nos entendem. Os primeiros sacam qual é a nossa, mantém o bar genuinamente tosco, chamam uma meia-dúzia de vagabundos da Jaíba para tocar aquele samba não menos vagabundo. Introduz no cardápio um tradicional bolinho de bacalhau, nos oferecem gratuitamente uns cigarros de palha e aumentam em 50% o preço de tudo. Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos também meio bem de vida e estamos dispostos até a pagar caro por aquilo que invariavelmente tem cara de barato. Por outro lado, os donos que não entendem qual é a nossa, empolgados pela invasão, trocam as nossas mesas de lata por umas de fórmica que imitam granito, azulejam toda a parede e tem mau gosto tamanho a ponto de instalar um som estéreo tocando um pagodão. Aí é que eles se fodem bonito, porque nós odiamos isso, nós gostamos como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.

Não imagine meu amigo, que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda aqui no Brasil! Ainda mais porque está cada dia mais complicado encontrar botecos que preencham os nossos requisitos, os pobres estão todos de chinelo Keep Naipe e os fóruns de orkut sempre alerta, pronto para encher nossos botecos de gente jovem, bonita e a difundir a picanha argentina ao alho e óleo pelos quatro cantos do planeta água. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com aipim.

-- Ô Gilmar! manda uma cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

Mr. Uncle Sam disse...

oloco kra, muito bom msmo...
Me identifiquei muito co mseu texto, tá de parabéns... e acho q mta gnt vai c identificar tbm
só tem uns probleminhas tipo... vc generalizou mto... c apegou mta em certos detalhes q podem confundir os leitores de regioes distintas... por exempos na hora q vc mencionou do reggae...
No maranhao, o reggae é a musica do povao... onde a vida c faz brilhar em meio a tanta opressao e desigualdades...
Mas, aqui no centroeste brasileiro, muitas vezes o Reggae não passa de uma musica de jovem playboyzinhos escutam e fumam sua maconha... ¬¬'
sei lá... td depende do ponto de vista... e eu mais um meio intelectual, meio de esquerda concordo com vc em vários aspectos.

Mr. Uncle Sam disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
OPINIÃO! disse...

Fudido...


... muito bom mesmo..


até

Ge disse...

Poxa, muito bacana mesmo!!!!
Os termos "petit gateau" e "vejinha" exemplificam muito bem o que acontece.

Queria ler mais tbm.

Penso da seguinte forma, antes eu fosse mais 1/2 intelectual, 1/2 de esquerda e antes fossemos todos assim. Outro Brasil iria existir. Enfim................escrve mais aí.

euamotubaina disse...

Antônio Prata?

hahaha
falou!

mas não posso deixar de concordar que o texto é engraçado

smkajt disse...

eaae amigo do betão,
eu sou meio porra loca e meio religioso, mas tamo ae tudo junto e misturado
abraço

Nenê disse...

Claudio, sua critica seria ótima se estivesse certa. Eu não mudei o texto. Provavelmente o que você leu deve ter sido alterado por algum tipo de censura da editora. É uma pena que você tenha gostado mais do texto publicado. Eu, ao ler este, bati uma punheta aqui mesmo.

Igor disse...

muito bom teu texto tche
parabéns
bem a cara do neo-comuna-babaca

Robério Sacramento disse...

O texto é legal. Parecido demais com um comportamento que conhecemos. Se você é ou não bom escritor eu deixo pros críticos literários.